lundi 13 juillet 2009

30 000 milles autour du monde

Nous avions passé le Cap de Bonne Espérance un peu dans le brouillard et surtout beaucoup dans la nuit, une visite du mythe par la terre s’imposait. Selon Marcelino, il n’y avait pas de doute, nous étions dans l’Atlantique dès le Cap des Aiguilles, preuve en est : la mer avait des saveurs de Dindé !

Bonne Espérance est aussi la marque symbolique de 30 000 milles nautiques réalisés depuis Marseille, soit 58 000 km..

Il y a trois mois cette rencontre était improbable. Je décidais de faire le tour par Bonne Espérance en hiver plutôt que de tenter la chance dans les eaux somaliennes. Choix de navigation difficile, car en décalage avec les habitudes « du monde des yachties ». De plus, dans cette galère, j’emmène Sergio et Marcelino venus goûter à la grande croisière hauturière. Si nous n’avons rencontré aucun voilier sur la même route, pour autant la navigation a été relativement facile, réalisée à l’intérieur de fenêtres-météo favorables ; les ports se sont avérés d’excellents points de départ pour découvrir la côte par la terre. Les conseils de Tony et Brett ont aussi été forts utiles.

Comme me confiait Paul de « Flame » : « expect the unexpected ». En effet, le pire n’est jamais certain, et c’est souvent quand on s’y attend le moins que les problèmes surviennent. Ayant parfois le sentiment de ne pas coller à la culture traditionnelle de la voile – les origines alpines expliquant peut être cela – j’ai appris à prendre un peu de distance avec les mythologies des ports et aborder chaque nouvelle étape avec respect.

Assis face au continent depuis son point le plus austral, je profite de cet instant unique de terre ferme. Les prochains jours seront riches en retrouvailles et découvertes ; d’abord mes jeunes cousins Sud Africains Anna et Danny, puis Patricia et Léo (Bia je pense très fort à toi), et enfin Michel et Marie. Ils m’ont beaucoup manqué.




Alors que Marcelino attend Sandra avec impatience, à bord de Dolce Vita ; Sergio et Leila ont repris la route de l’Afrique pour commémorer l’anniversaire de Leila en grand style. Pour nos amis lusitanophones, suit un texte de Sergio revenant dans le détail sur son vécu de la dernière partie de navigation.


30 000 Milhas ao redor do mundo

Passamos o Cabo da Boa Esperança com um pouco de neblina e muito de noite. Uma visita do mito cabo, por terra, se fazia entao necessario. Segundo Marcelino, nao havia duvida, estavamos no Atlantico desde o Cabo das Agulhas, prova é, o mar ja tinha cheiro de dêndê.

Boa Esperança é tamben a marca dos 30 000 milhas nauticas realizadas desde o porto de Marselha, o seja os 58 000 kilometros do Dolce Vita neste projeto ....

Ha tres meses este encontro fosse improvavel ! So que decidi dar a volta pelo cabo da Boa Esperança no inverno ao inves de tentar a sorte nas aguas da Somalia (infectadas de piratas). Opçao de navegaçao dificil, porque em contradiçao com os habitos e a cultura “do mundo da vela”. Alem do que, nesta furada, trazia Sergio e Marcelino vindo saborear o grande cruzeiro de alto mar.

Nao encontramos nenhum veleiro na nossa rota o que era previsivel ! Mais, sempre realizada dentro de janelas de tempo favoraveis, a navegaçao se revelou relativamente facil. Os portos foram todos excelentes pontos de partida para exploraçao da costa por terra. Os conselhos de Tony e Brett foram muito proveitosos.

Como me dizia o meu amigo Paul do Veleiro Australiano Flame : “ expect the unexpected ”. De fato o que acontece nunca é sempre o peor, ao contrario, muitas vezes quando menos esperamos os problemas surgen.

De vez em quando, tendo o sentimento de nao partencer a cultura tradicional da vela (a minhas origens alpinas devem explicar), aprendi a guardar distancia dos mitos criados em portos e tratar o mar com respeito.

Sentado olhando para o continente africano desde o seu punto mais austral, aproveito este momento unico de terra firme. Os proximos dias serao ricos em reencontros e descobertas. Primeiro meus primos sulafricanos Anna e Danny, e logo depois Patricia, Léo, Michel e Marie (Bia pensou muito en você no Brasil!). Senti muita saudade deles.

Em quanto Marcelino espera, no Dolce Vita, com muita saudade e carinho a Sandra ; Sergio e Leila ja retomarao a estrada da Africa para comemorar em grande estilo o aniversario da Leila. Para os nossos amigos de lingua portuguesa segue a continuaçao um texto do Sergio, relatando com detalhes a sua experiencia dos ultimos dias.




Latitude 34º Sul: a Travessia do Dolce Vita de Porth Elizabeth a Cape Town (Sergio)


O Dolce Vita com a sua tripulação Vincent-Sergio-Marcelino tinha alcançado finalmente a Latitude 34º Sul em Porth Elizabeth no Algoa Bay Yacht Club (lat. 33º 59´S e long. 25º 38´E) e agora era avançar rumo ao Oeste, contornando a ponta sul do continente africano, fazendo uma navegação estranha e arriscada para nós velejadores que não somos surfistas, pois a estratégia nessa região é navegar sempre perto da costa, até a linha de profundidade dos 200 metros, ficando no máximo a 10 milhas náuticas (Mn) das escarpas recortadas das altas montanhas que o Oceano Indico vêm lambendo com a força da Corrente das Agulhas.

Com a excelente qualidade das informações metereológicas diariamente baixadas via internet dos sites utilizados pelo Vincent (www.grib.us e www.passageweather.com ), enviados pela Leila (www.weathersa.co.za) e com as orientações que buscamos com os velejadores em Durban, particularmente com o Tony Herrick (www.cruisingconnections.co.za), misto de mestre e consultor em navegação a vela para contornar o Cape of Good Hope, acertamos todas as janelas de tempo para zarpar do aconchego das marinas, como também buscar abrigo nos portos seguros quando as depressões vinham rapidamente empurrando as frentes frias contra e os barômetros variando de 1015 para 1030 milibares em menos de 24horas sem nenhuma cerimônia.

Procurávamos sair sempre no rabo ou melhor, no final da frente fria, armados no misto – i.e. vela grande rizada e motor, enfrentando o “swell” e vento na cara. Quando o vento mudava de quadrante iamos abrindo a vela até dar o que o Dolce Vita mais gostava, que era asa-de-pomba, para então ele voar!.... Buscávamos sempre a corrente das Agulhas que ajudaria no desempenho do veleiro e que as vezes chegava a mais 4 nós a favor e assim não tinhamos descanso, pois a regra geral nessa latitude e mar é passar logo e buscar ficar o mínimo de tempo em exposição nessa região que já colecionou mais de 250 naufrágios somente no Cabo das Agulhas.

Quando vimos que seria impossível chegar em Cape Town ou mesmo na False Bay antes que duas poderosas depressões que se formaram no Atlântico e vinham varrendo as encostas da África do Sul pudessem nos alcançar em pleno Cabo das Agulhas, buscamos abrigo no Porto e modesta marina de Mossel Bay. A marina não comporta veleiros mais pesados que 10 ton e maiores que 36´ e assim o Dolce Vita teve que ficar fundeado na abrigada baia até a próxima janela que aconteceu 4 dias depois. Aproveitamos esse tempo para conhecer mais um pouco da Garden Road especialmente Knysna, que nos encantou e onde nos regalamos com as ostras locais acompanhadas do bom chardonnay sulafricano.

Recolhemos a ancora na tarde de 03.07.09 e largamos Mossel Bay na lat. 34º10´S e long. 22º08´E com o barômetro em 1029mb, vento ainda na cara, mas fraco, dobrando o Cape St. Blaize rumo ao Cape Town, que para atingir teríamos que vencer outros 23 cabos e pontas tenebrosos e dentre eles os famosos Cape Agulhas e Cape of Good Hope. Nessa madrugada atingimos o ponto de maior latitude sul dessa navegação, ie, 35º 03´S e long. 20º 34´E e com ele veio o frio intenso com o termômetro batendo os 10ºC.

As 13h do dia 04.07 cruzamos o Cabo das Agulhas, deixando o mesmo a 10Mn num oceano com águas com profundidade de apenas 82mt., vento de popa com 20 nós e o veleiro em asa-de-pomba em 6,2 nós. Nessa altura a corrente das Agulhas não mais atuava e foi assim que largamos as águas quentes do Oceano Indico e entramos nas águas frias do nosso querido Oceano Atlântico. Apesar desse trecho ser conhecido como uma das mais traiçoeiras costa do mundo, devido as rasas e turbulentas águas contra rochedos íngremes, o Dolce Vita passou sereno e agradecendo Iemanjá e pedindo para levá-lo para o outro lado do Atlântico na nossa Baia de Todos os Santos.

Orçamos em seguida na direção do Cabo da Boa Esperança e em 24h completamos mais 134Mn faltando somente 116Mn para cumprirmos nosso objetivo. A tarde o vento relaxou e colocamos a ginaker e assistimos um por de sol de tirar o fôlego. A ansiedade de chegar era grande e descontamos as milhas pouco a pouco. No meu turno inicial da última noite um pássaro enorme posou no cockpit e buscou abrigo ao meu lado e com muito custo consegui mudá-lo de idéia, pois seguramente iria fazer uma sujeira no Dolce Vita.

As 3h da madrugada de um domingo, 05.07.09, cruzamos a menos de 8 Mn o Cabo da Boa Esperança e com respeito observava o farol piscar com seu longo olhar os 3 lampejos brancos espaçados, vento quase nenhum de 7 nós na aleta de bombordo, mar espelhado em 123 mt de profundidade e refletindo a lua cheia, barômetro calmo nos 128mb e o Dolce Vita deslizando num misto a 5,8 nós. Escolhi a música “O Vento” de Jota Quest para trazer a minha Leila para passar junto esse momento mágico: “Foi por todo mar e volte aqui para o meu peito! Pedi ao vento para trazer você aqui, morando nos meus sonhos e na minha memória. Pedi ao vento para trazer você de novo...”

Se fosse pedir um presente para Deus, acho que seria muito querer esse momento e dessa forma para chegar em Cape Town, passando pelos temíveis Cabos das Agulhas e da Boa Esperança, navegando através da corrente das Agulhas que desce com valentia o Canal de Moçambique vindo da costa norte da África do Sul, numa navegação em rota contraria por ser no período do inverno. Passamos pelo Cape Point num mar espelhado sem os enérgicos swells vindos da Antártica e poder atracar em calma e num belo domingo de sol, em conjunto com os amigos Vincent e Marcelino, no famoso Royal Cape Yacht Club - RCYC (lat. 33º55´S e long. 18º26´E), percorrendo 2.800 Mn desde a largada em 20.05.09 nas Ilhas Mauritius.

Quando lançamos as amarras no píer do RCYC e avistamos a Table Mountain trazendo o amparo do seguro porto da Cidade do Cabo, a fisionomia dos três amigos tripulantes era de sorriso largo e sereno, nos abraçamos e agradecemos a navegação realizada sem ter tido nenhuma avaria e passado com segurança um dos três Cabos místicos no mundo náutico. Em seguida a Leila telefonou e a felicidade se completou e disse que estava nos aguardando com um coq-au-vin e algumas garrafas de bons vinhos locais e que teríamos todo o tempo para uma justa bebe-come-moraçao no apart-hotel que ele estava instalada no Waterfront Village.



2 commentaires:

Sylvia et Rémi de Grenoble a dit…

Bravo pour cette magnifique performance. Même si nous ne signons pas de commentaires, nous lisons svt tes aventures sur ton blog ! bonne route pour la suite

Anonyme a dit…

cape town est un endroit merveilleux de ce monde, tiens toi loin des babouins et ne les nourrit pas :-)
Haider