samedi 13 juin 2009

Finalização da descrição da navegação REUNIÃO – DURBAN, por Sergio Catão.



Do 8º ao 15º dia (05 a 12.06.09), com a chegada à Durban

Navegação: 1440 nm - milhas náuticas desde a Ilha de Reunião (Ile de Reunion)

Coordenadas em Durban: Lat 29° 51’ 795” S e Long 31° 01' 309” E – Point Yacht Club .

No 8° dia continuamos no meio do anticiclone, com a pressão barométrica montando a 1022mb e com a corrente contra; não conseguimos um bom desenvolvimento! Fizemos um bordo em direção a ponta sul de Madagascar, apesar de o aconselhável ser deixar essa região em torno de 150 mn, para evitar um mar com grande turbulência. Isto devido a uma plataforma que avança e profundidades de somente 200 m. Avançamos até 70 mn ao S de Madagascar, quando então cambamos e armamos uma “asa-de-pombo” às 23h da noite. O Dolce Vita gostou da direção SW para Durban e disparou chegando a marcar 8,3 nós e com isso recuperamos o atraso completando 90mn. A noite foi agitada, pois manter uma asa-de-pombo com mar nervoso e vento forte, não dando oportunidade para que no meu turno eu curtisse musicas e filosofasse... Como o CGV tirou folga hoje da cozinha o AGM atacou de macarronada.


No 9° dia a moral da tripulação ficou elevada, pois conseguimos fazer 110mn, num mar com corrente a favor e pela 1a. vez com vento W seguro por 12h, vendo o Dolce Vita deslizar suavemente em direção a Durban e cruzar a latitude 27°S e a longitude 45°E. Somente às 23h o vento sumiu e entrou o motor Volvo Penta; se bem que empurrava o veleiro, seu barulho estragava um pouco da linda noite de lua “quase cheia” - no seu 12° dia. Como hoje é sábado, o CGV acordou animado e preparou um “pain bateau” especial com recheio de uvas passa e nozes e que batizamos com o nome de “Pain Cap Saint Vincent” em homenagem dupla ao Capitain e ao cabo homônimo na costa W de Madagascar. O almoço foi um cassoulet acompanhado de um Bordeaux Mouton Cadet. Atrasamos hoje o relógio em 1h, pois já fizemos a metade da travessia, percorrendo 740mn, faltando exatos 700 mn, que esperamos fazer em menos dias que a 1a. parte da navegação, devido à previsão de termos ventos mais fortes em breve.

O vento tem estado inconstante e roda em todos os quadrantes! Estamos trabalhando muito com o enxoval de velas, mudando de genoa para gineiker, botando e tirando o rizo da grande, tentando não deixar o barco andar a menos 4 nós. Quando isso acontece, ligamos o motor e assim fizemos hoje outras 100 mn em direção a Durban.


Leila viajou nesse sábado de Mauritius para Durban: nossa base em terra ficará mais atualizada para enviar a metereologia. Nessa noite Vanessa da Mata, com a musica Onde Ir, parece que lia a cabeça e corações dos errantes tripulantes do Dolce Vita ... Eu não sei pra onde a gente vai andando pelo mundo, eu não sei pra onde o mundo vai, nesse breu vou sem rumo. Só sei que o mundo vai de lá prá cá, andando por aqui e por acolá, querendo ver o sol que não chega, querendo ter alguém que não vem...


No 10º dia, um domingo, o vento esteve fraco, o mar tranquilo e um belo sol, mas a forte contra corrente não deixou o veleiro passar dos 3,5 nós, mesmo motorando, fazendo com que o nosso desempenho tenha sido o menor até agora, ie, 75 mn. No almoço comemos uma salada leve, mas para o jantar o CGV nos preparou uma surpresa: uma super brusqueta com o “pain bateau”, forrado com muito molho de tomate, azeitonas e queijo holandês, acompanhada de vinho Rosé d'Anjou; com sobremesa, pêssegos em calda de chocolate. A consequencia foi que dormimos como meninos e os turnos foram sonolentos, acompanhados de uma lua cheia, que através da neblina tornava a noite mais misteriosa. Parecia que estávamos adivinhando que seria o derradeiro dia gourmet nessa travessia; era quase impossível passarmos tantos dias, nessa época do ano - no oceano Indico, sem sofrermos com as depressões e as alterações barométricas bruscas !


Na manha do 11º dia estávamos encabulados porque o veleiro não passava de 3 nós apesar do mar calmo e o motor de 55 hp girando a 1700 rpm, devendo render no mínimo 5 nós. Vincent devidamente amarrado e seguro, equipado com os óculos de mergulhar, colocou o rosto dentro d'água para ver o fundo do barco, olhando pela saia de popa do veleiro: saber que estava tudo bem com quilha, com o leme e que não tinha nada agarrado, não foi surpresa... mas sim saber que havia um grande atum ao lado da quilha acompanhando o barco!!! Amarramos imediatamente a linha pesca com a rapala no cunho de proa pra ver se ele mordia e nada! E assim continuamos ainda sem pegar peixe nesse oceano. Após o café, o vento entrou forte, até chegar aos 20 nós; rizamos a grande e a genoa e o veleiro atingiu 7 nós de velocidade. Ficamos animados para recuperamos o atraso e fazermos as 525 mn que faltam, em 4 dias. O modelo de previsão GFS mostra que teremos vento S SE superior a 20 nós, nos levando num bom través em direção a Durban. À tarde o vento continuou apertando e decidimos colocar pela 1ª vez a trinquete e dar a 3ª forra de rizo na grande para passar a noite. Foi uma decisão acertada, pois o vento subiu para a casa dos 30 nós e o mar ficou branco com ondas de 5 a 6 metros entrando de lado e o veleiro passando dos 8 nós. Quando fui no piloto automático conferir a deriva: estávamos no rumo 295° e pelo GPS faltavam 503 mn para Durban, de repente vi surgir do nada um navio verde de médio porte vindo de boreste e cortando a nossa proa a uns 200 mts em alta velocidade – GELEI! Demos 20° positivos e soltamos todos os palavrões conhecidos e não conhecidos para o famigerado capitão da embarcação.


Durante a noite e na manha seguinte - 12º dia - os ventos acima de 30 nós continuaram e o barômetro subiu 10 mb num dia, nos deixando preocupados para saber até onde iria o centro do anticiclone. O mar continuava muito desencontrado, mas o Dolce Vita com a trinqueta e grande no 3º rizo continuava estável, batendo seu recorde de média diária nessa travessia, conquistando mais 155 mn. À tarde o vento rodou para SE e baixou para 15 nós, o barômetro desceu 3 pontos e voltamos para o 2º rizo e o veleiro continuou fazendo 7 nós. Pelos boletins meteorológicos estamos no meio de 2 anticiclones e tem um a depressão ao S de Durban. Temos que avançar o Maximo possível para não chegarmos depois de 6ª f dia 12.06.


Com o vento de popa, no 13º dia, armamos outra vez a asa-de-pombo e durante quase 24 h, com ventos oscilando entre 12 a 18 nós, colhemos mais 130 mn, faltando somente 240mn para Durban. Decidimos administrar a rota para fazer em 2 dias o que falta, para chegar pela manha no porto, que é o maior e mais movimentado da África, merecendo todo o cuidado na aproximação. Finalmente caiu um peixe na rapala, um belo exemplar do Wahoo de uns 4 kgs, que Marcelino recolheu, tratou e preparou a metade ao vinho e a outra em ervas. Comemos esse peixe nos nossos almoços e jantares até a chegada, pois o vento resolveu botar a cara de novo e tivemos que trabalhar muito nesses dois dias. Cruzamos um anticiclone que tinha a forma de uma salsicha e o barômetro enlouqueceu, subindo 15 milibares em menos de 24h, trazendo ondas imensas do S que pegavam o veleiro pelo través e chegavam a lançar a crista de algumas delas até a altura da esteira da vela grande. Todos equipados com roupa de tempo e coma atenção redobrada, ficamos a admirar a mistura de fúria e beleza das ondas que se cruzavam por todos os lados. O Vincent aproveitou para estrear as botas de jardineiro compradas em Reunião, para ficar com os pés secos.


Assim chegamos no nosso ultimo dia de navegação, 14º dia, faltando somente 120mn para Durban. O vento, como previsto, rodou para NE e junto com o barômetro abaixou de intensidade. Com o veleiro derivando para S em direção à Durban, fomos administrando os panos e à noite colocamos um misto de motor e vela grande, para montar a linha de chegada ao N de Durban, recebendo a força da corrente das agulhas que vem descendo o canal de Moçambique. Como um bilhete de sorte grande, o mal tempo sumiu nas brumas da noite e amanheceu um dia glorioso de céu azul e quase sem vento. Tomamos um belo café da manha, todos tomaram banho e barbearam e me aprontei para reencontrar a minha Leila depois de 14 dias ao mar. Ela já havia feito todo o trabalho de base técnica em terra, tendo reservado uma vaga no pier do Point Yacht Club, onde lançamos às amarras as 11:30h do dia 12.06.09, onde me fiz presente no dia dos namorados! A tripulação do Dolce Vita, formada por Vincent-Sergio-Marcelino e agora completados com a Leila, seguiu direto para o Café Fish, em frente ao pier, para fazer uma justa comemoração com frutos do mar do Indico, regados por “deux bouteilles de vin chardonnay” da Africa do Sul.


1 commentaire:

Anonyme a dit…

Parfois on se demande si c'est pour de vrai, ou si ce n'est pas une grande entourloupe avec des bronzés planqués quelquepart au soleil en train de faire les gourmets, qui nous mettent des photos sur un blog pour nous faire croire qu'il font le tour du monde...